Entrevista Vogue: Rihanna fala sobre músicas do ANTI, vazamento do Tidal, trabalhar com Drake e mais!

Semana passada, a Vogue divulgou parte da entrevista que fez com Rihanna após o ensaio fotográfico da revista da edição do mês que vem. Hoje (24), a Vogue divulgou a segunda parte, dessa vez mais focada na parte da música, onde Rihanna fala sobre músicas do ANTI, o vazamento do álbum pelo Tidal, sobre trabalhar com Drake e muito mais!

Confira a entrevista na íntegra:

Entrevistadora: Eu queria falar sobre o ANTI primeiro. A música de abertura, “Consideration”, define o tom do álbum. De alguma forma, o processo de gravação foi diferente?

Rihanna: Eu me senti realmente conectada com essa música. Senti que tipo, se houvesse uma música pudesse representar este álbum, seja sonoramente, seja do jeito como eu canto, seja na atitude ou liricamente, a batida. Tudo é tão autoritário, e conquista sua atenção logo de cara. E eu senti que isso era importante, principalmente depois de um longo tempo sem álbum.

Entrevistadora: Em Higher, nós ouvimos uma dimensão totalmente diferente da sua voz. Pode nos contar sobre essa música?

Rihanna: Nós gravamos essa música ás 4 da manhã. Das 4 ás 5. Nós tínhamos terminado de gravar várias outras coisas e era o fim da noite. Era bem curta, então nós falamos: “Quer saber? Vamos beber um pouco de uísque e gravar essa canção”. E quando eu ouvi a música, eu imaginei uma mensagem de voz de alguém bêbado. Você sabe que ele está errado, mas aí você fica bêbada e pensa tipo: “Eu poderia perdoa-lo; Poderia ligar para ele, poderia fazer as pazes com ele” Apenas… Desesperada. [Risos]

Entrevistadora: Você lançou “Work” primeiro. Há um tipo de variação de vocal nessa música. Acho que um escritor chamou isso de “Pós-linguagem” que fica nítido no refrão. Isso foi pensado no estúdio?

Rihanna: Sim. Porque eu senti que se eu pronunciasse as palavras perfeitamente, não teria a mesma atitude ou a mesma ousadia. Porque é assim que nós falamos no Caribe. É bem imperfeito. Tipo, você consegue entender o que alguém está falando mesmo sem terminar as palavras. Essa música definitivamente representa minha cultura, então eu tive que distorcer um pouco para cantar.

drake-rihanna-work-video

Entrevistadora: E você acaba de chegar da gravação do clipe de “Work”, certo? Como foi?

Rihanna: Era pra ser uma festa dancehall. Exatamente como nas festas que frequentamos no caribe, só dançar, beber, fumar, paquerar e realmente aproveitar a música. Tipo quando começa a tocar sua música favorita. E esse foi o momento gravado no video.


Entrevistadora: Como é trabalhar com o Drake diferente de trabalhar com outras pessoas?

Rihanna: Um.. Drake. Quero dizer, Drake tem muito a oferecer. Ele é muito inteligente e eu confio muito nas direções dele. Fazer uma parceria com ele, você sabe que vai ser ótimo. Tudo que ele faz é tão incrível. Ele é tão talentoso que você meio que confia que vai ser bom. E mais, nós nos conhecemos, então eu sei que tudo que ele escreve, será honesto e vai fazer sentido onde estou no momento da minha vida. Essa é a diferença, nós nos conhecemos.


Entrevistadora: De uma forma geral, parece que as músicas são mais lentas e um pouco mais introspectivas e pessoais. Você sabia que era isso que queria?

Rihanna: No começo, eu não sabia na verdade como o álbum soaria. Eu sabia o que eu queria sentir. Eu não sabia ao certo como eu queria ouvi-lo mas eu sabia que eu iria saber quando eu sentisse. Então eu passei por diversas canções nas quais achei que fossem boas, e canções que achei que fossem up-tempo e que fariam sentido. No final, eu escolhi as músicas que achei que fossem honestas para o momento que estou agora. E como eu penso agora. As coisas que eu quero ouvir. As coisas que quero fumar ouvindo.


Entrevistadora: Você foi ficando cansada da fórmula pop?

Rihanna: Muito. Toda vez que fizemos um álbum, eu sempre sai do meio um pouco. Mas dessa vez, nós passamos tanto tempo sem um álbum que eu precisei que a música combinasse com o meu crescimento. Eu não queria que eles tivessem qualquer coisa que o mundo gostasse, qualquer coisa que as rádios gostassem, qualquer coisa que eu gostasse ou que já tivesse ouvido. Eu só queria que o álbum fosse realmente eu.

Entrevistadora: Parece ousado se arriscar, considerando o estado da indústria da música.

Rihanna: Eu sempre acreditei que quando você segue seu coração ou seu instinto, quando você realmente segue as coisas que são boas pra você, você não perde nunca, porque se acomodar é o pior sentimento do mundo. Se acomodar faz você parecer vendido. Faz você se sentir como um mentiroso. Não faz você sentir como se acreditasse em alguma coisa que você está dizendo, cantando ou performando. Se você está performando músicas que não são quem você é ou como você se sente no momento, é doloroso. É doloroso para o artista e para a plateia. E eu não queria me pegar fazendo algo que venderia ou algo que eu já tivesse feito antes. Eu queria fazer algo em que eu acreditava.

Entrevistadora: Na mídia, falou-se muito que o álbum foi vazado. Você pode esclarecer o que realmente aconteceu?

Rihanna: Realmente vazou. Acho que isso não precisa ser mais discutido. Todo mundo sabe que vazou. Mas felizmente isso não nos prejudicou.

Entrevistadora: Você também anunciou a turnê antes de lançar o álbum. Você está em turnê com o Travis Scott. Em termos de criação, o que te levou a trabalhar com ele?

Rihanna: Bem, quando estou em turnê, gosto de levar pessoas que animam a plateia. Por isso que levarei Big Sean para a Europa. Também teremos o The Weeknd. E o Travis Scott. Todos eles são ótimos artistas. Sabem como dominar um palco. E isso é muito importante antes de eu entrar no palco porque eu quero cantar para uma platéia que está tipo [estala os dedos] numa vibe legal. Uma plateia que está animada pra que eles sintam que estão prontos para a festa.

Entrevistadora: Eu queria te perguntar sobre o contrato para lançar música através do Tidal. Por que motivo você decidiu lançar dessa maneira?

Rihanna: Bem, parte do plano era fazer a stream e o download do álbum exclusivamente por 24 horas, que seria feito através de um link da Samsung onde os fãs iriam entrar e resgatar o álbum. Mas a Samsung achou que o melhor meio fosse o Tidal.

Entrevistadora: Os artistas parecem estar cada vez mais indo pelo caminho do streaming, não é?

Rihanna: É verdade. O stream é um grande mercado pra mim. Temos ido muito bem nesse mercado de streaming então é algo que eu não quero deixar de lado de jeito nenhum. Os streams contam agora. Eles estão tratando os artistas da maneira como eles merecem ser tratados. Não são vendas cegas, vendas invisíveis ou streams invisíveis, ou ouvintes e downloads invisíveis.

Antes era só eles nos roubando. Antes do streaming, eles estavam roubando os artistas. Roubando nossas vendas. É música gratuita. Então agora a música gratúita também conta. Com certeza fará uma grande diferença na indústria da música.

Entrevistadora: Queria perguntar se você fica cansada das pessoas te colocando contra as mulheres da indústria. Tipo ontem, com a Beyonce lançando “Formation” e todo mundo comparando com o ANTI.

[risada alta] Esse é o negócio, Isso é mais relevante para o mundo. De alguma forma eles ficam entusiasmados com isso. Eles ficam animados em investir em algo que é negativo. Algo que é competitivo. Algo que, você sabe, uma rivalidade. E não é pra isso que eu acordo todos os dias. Porque só eu posso fazer o que eu quero e ninguém mais vai ser capaz de fazer isso.

Entrevistadora: Então você apenas tenta não prestar atenção nessas coisas.

Rihanna: Especialmente com o ANTI, eu passei por muitas emoções, uma montanha russa de sentimentos de me sentir bem, amar isso, odiar isso, de duvidar de mim mesma, de me odiar. “Isso é horrível.” “Eu falhei.” “Pera, mas eu ainda amo isso.” “E depois, tipo… Não.” Em algum momento, você precisa saber quem você é. Você sabe quando algo é você. Você sabe quando você ama algo e aquilo é a única coisa que importa. Quando se trata das coisas de outras pessoas, sua linha de pensamento e seu tempo, eu nunca vou fazer algo intencionalmente pra, tipo, atacar alguém. Esse seria meu maior erro ou o erro de qualquer pessoa que fizer isso intencionalmente. Então eu apenas foco no meu projeto. Isso é tudo que consigo. E é muita coisa pra lidar. Eu mal consigo lidar com tudo isso.

Entrevistadora: Desde a última vez que você falou com a Vogue, você se envolveu mais com a moda.

Rihanna: Isso é engraçado. Eu fico tipo, sério? Eu sinto que fiquei mais casual.

Entrevistadora: Bem, aquele vestido do CFDA! O vestido era uma resposta para a campanha “Free The nippe” (Liberte o mamilo) e aquele problema com o Instagram?

Rihanna: Eu sempre deixei o mamilo livre. Nunca foi para chamar a atenção. Nada por desespero. O sutiã estragou minha blusa. Eu só queria que ficasse perfeito e foi por isso que fui assim e eu me senti bem com aquilo. E depois de um tempo, se tornou um escândalo e um “mau exemplo horrível.” Foi um tópico de discussão, e de repente, outras garotas começaram a me defender. E agora há toda essa campanha “Free The Nipple.”

2-rihanna

Mas no CFDS foi a última vez em que fiz isso. Eu lembro que disse naquele dia pro meu estilista e pra todo mundo que estava na sala, eu falei: “Hoje você vai ver isso. Amanhã não.” Porque essa seria a ultima vez. Eu não posso ir mais longe que isso. Então eu disse “Daqui pra frente, nós voltaremos com as roupas. Vamos colocar roupas mesmo que eu não queira. Certifiquem-se de que eu estou vestida.” porque eu não quero que as pessoas pensem que eu estou fazendo isso de propósito.

Entrevistadora: Certo, por ultimo. Eu vou falar o nome de alguns estilista e você me diz rápidinho o que você ama nas coleções deles:

Stella McCartney.

Rihanna: Eu amo a Stella. Eu amo as roupas dela, acho que elas são femininas. Ela tem um jeito de fazer as mulheres ficarem sexy sem parecer que estão tentando ser sexys, o que é minha coisa favorita.

Alex Wang.

Rihanna: Alexander Wang está a frente do nosso tempo. Ele está sempre ditando moda, nunca seguindo a moda. E isso me excita nas coleções dele.

Olivier Rousteing.

Rihanna: Oliver, ele é uma pessoa tão linda por dentro e por fora. E eu me sinto tão orgulhosa dele ser um jovem negro nessa industria enorme da moda, conseguir vender suas roupas e mudar as marcas do jeito que ele faz, onde as pessoas quase morrem para ter um dos vestidos dele.

Raf Simons.

Rihanna: Raf é louco de natureza. Ele é tipo minha alma gêmea quando de trata de moda. Como alguém consegue entender sua mente assim? Ela é tão bom em mudanças. Ele abre o envelope. Ele tá longe do envelope agora. Ele tem sem próprio envelope.

E sobre Vetements?

Rihanna: Amo Vetements. É uma das minhas marcas favoritas, que me deixa louca. Nunca terá a mesma coisa no meu guarda roupa. Mas com uma marca como a Vetements, você pode ter saias de couro, uma blusa e uma jaqueta até o pé, uma camisa, um casaco, um terno-saia. Você literalmente pode ter uma roupa para cada ocasião em uma só coleção.

E a última é a Victoria Beckham.

Rihanna: Oh, eu amo a Victoria. Eu vesti peças dela algumas vezes. Os óculos são ótimos. Ela sabe como fazer uma cintura. Os vestidos dela vestem muito bem. O Zac Posen também, ele é muito bom em ajeitar cinturas. Ela sabe como fazer o corpo de uma mulher ficar lindo. Tom Ford sabe como fazer uma mulher parecer uma vadia má.

Jean Paul Gaultier é um rei pra mim. E obviamente, Dior. A Dior é atemporal. Eles são clássicos. Mas eu também gosto do fato de eles nunca terem medo de mudar. Nunca terem medo de evoluir e de ficar a frente do tempo. Quero dizer, o fato da Dior ter feito uma coleção rastafari… Você pensa sobre isso e você fica maluco só de pensar que a Dior se arriscou tanto assim.

The following two tabs change content below.

COMENTÁRIOS