Rihanna é capa da edição de outubro da revista T Magazine.

Rihanna é capa da revista “T: The New York Times Style Magazine” que traz a edição The Greats.
A cantora é fotografada por Craig McDean e entrevista por Miranda July.

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Se Rihanna tem algum “padrão”, esse seria o de mudar sempre o seu “padrão”. Rihanna não criou uma persona como fez Beyonce, Lady Gaga, Madonna e tantos outros artistas do nível dela. Ela não precisa fabricar dimensionalidades porque ela na verdade, é cheia de alma. E isso transparece em cada pequena coisa que ela faz. As almas são coisas engraçadas. Elas continuam iguais mesmo quando há mudanças externas, ou quando o coração comete erros. As almas não se importam com o bem ou o mal, o certo ou o errado, elas apenas são verdadeiras.

Entrevistadora: Os lábios dela estavam num tom de vermelho brilhante, as unhas num tom de lavanda pálida, o rímel dela nas cores preta e branca de uma forma que eu não consegui entender. Um cordão no peito escrito “FENTY“, seu sobrenome.
Rihanna me abraçou, disse oi e nós nos sentamos em frente á 2 taças de vinho branco. “Seus olhos são lindos”, ela me disse, arrastando a cadeira dela para perto da minha. “Estou olhando pra você e sinto que meus olhos vão ser ofuscados, porque tudo que consigo ver são seus olhos”.
“Bem, isso é mútuo, pode apostar.” eu disse. Foi provavelmente o elogio mais fraco que ela recebeu. Eu olhei para baixo, vendo cuidadosamente minhas perguntas que escrevi, tentando achar a melhor questão para começar.
Você pesquisa na internet? Se sim, o que você procura?

Rihanna: Hum… coisas aleatórias, tipo, as vezes eu sento e jogo no Google coisas sobre parto.

Entrevistadora: Poderia ser mais aleatório do que partos.

Rihanna: Partos, falando de uma maneira geral. Eu estava procurando sobre o tamanho de certas coisas, e o quanto elas expandem, e o que acontece depois…

Entrevistadora: “Vai ser legal.” Eu disse por experiência própria. Queria ter dito também “Você tem um corpo especial. Nada que você jogar no Google vai servir pra você”.
Eu perguntei que tipo de aplicativos ela tinha no telefone, ela mencionou algo chamado Squaready.

Rihanna: Ajuda a colocar uma imagem com diferentes dimensões no quadrado do Instagram.

Entrevistadora: Então você mesma atualiza ele?

Rihanna: Sim, sim. Essa é a única maneira das coisas funcionarem. Meus fãs percebem as coisas de longe. Eu não conseguiria enganá-los

Entrevistadora: No Instagram, Rihanna é vista bastante vestindo biquínis, e ela está sempre linda. Sugeri que um corpo como o dela nunca está nu ou vulnerável. Ela tentou descrever o que faz uma foto ficar ótima.

Rihanna: Não há regra que você tem que estar vestida ou não. Eu quero ver uma mulher pelada que nem sequer tem consciência da sua nudez.

Entrevistadora: Concordo. Apenas o puro prazer do corpo

Rihanna: Sim. E os homens vão fazer o que eles fazem. E eu vou fazer o que eu faço.

Entrevistadora: De repente Rihanna levantou uma mão pro ar, fazendo um sinal de paz. Eu virei minha cabeça e vi um senhor branco tentando tirar uma foto dela escondida, tentando uma selfie. Ela estava sorrindo mas eu me senti incomoda por ela, e levantei o dedo do meio. “Me desculpe.” o homem disse. A mesa dele rodeada de pessoas comendo camarão e bebidas parecia mortificada. “Eu nunca fiz algo assim”.

Rihanna:“Tudo bem. Você teve sorte que eu não estava comendo, senão essa seria uma foto feia.

Entrevistadora: “Posso perguntar o que é isso?” ela disse, apontando pra minha roupa. Yves Saint Laurent, vintage.

Rihanna: Seu gosto… Eu quero dizer… Eu nem consigo falar com você.

Entrevistadora: “Obrigada. Eu me vesti assim pra você” sabendo da profunda apreciação de Rihanna pela moda. Todos nós testemunhamos o Met Ball e ela com aquela enorme vestido de cauda amarela. A primeira garota negra embaixadora da Dior. Ser Rihanna parece ser muito bom, pelo menos olhando de fora. Você consegue descrever como é isso na sua mente?

Rihanna: Você é a pessoa do “próximo momento” nunca a pessoa “no momento”
Da mesma forma, só agora as coisas estão se encaixando pra mim. Tipo como eu me sinto emocionalmente. Eu costumada me sentir insegura no momento em que era elogiada. Eu sentia que o chão iria cair diante dos meus pés porque isso poderia ser o fim. E até agora, enquanto todo mundo está celebrando, eu estou pensando na próxima coisa, eu não quero ficar perdida nesse grande assento da fama.

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Entrevistadora: E é assim que você vai de uma criança com uma boa voz para vender 54 milhões de álbuns em apenas 10 anos. Não acredite nas fotos – a cada foto tirada numa festa com piscina, uma não é tirada enquanto ela simplesmente está trabalhando. Quase todas as noites, enquanto você está dormindo, Rihanna está no estúdio. Ela foi para lá depois do nosso encontro e a Jennifer disse que ela ficaria lá até o amanhecer. Naquele momento o engenheiro de som estava esperando por ela, da mesma forma que eu estava esperando mais cedo. Rihanna não tem tempo para atividades extracurriculares por enquanto, e isso inclui namorar.

Rihanna: Caras precisam de atenção. Eles precisam desse sustento, aquela pequena coisa no ego que eles precisam de vez em quando. Eu darei atenção para a minha família, eu darei para o meu trabalho, mas eu não darei para um homem agora.

Entrevistadora: Eu disse que levei bastante tempo para encontrar um cara que não se sentisse ameaçado pelo meu poder, e Rihanna simplesmente disse: “Eu ainda estou nessa fase”
Olhando pra ela, me lembrei que milhares de pessoas jogam no Google “Olhos de Rihanna” todo ano. E lá estavam eles, um par de olhos verdes-castanhos brilhantes. Tomei outro gole de vinho e perguntei: “O que te excita?”Ela pensou sobre isso seriamente.. passando os dedos pelos seus cabelos castanhos…

Rihanna: Fico excitada com caras que têm cultura. Que vão me manter intrigada. Eles não precisam ser estudados, mas eles têm que saber falar outras línguas, ou saber sobre outras partes do mundo, ou a história de certos artistas ou musicistas. Gosto que me ensinem, gosto de sentar ao lado da mesa, ela disse, gesticulando para eu mover minha cadeira para perto da dela, fugindo do sol.

Entrevistadora: Agora que ficamos lado a lado, senti que pudesse esclarecer uma coisa. “Ei, você não tá pensando em engravidar, né?” A internet vai explodir quando eu disser que você estava pesquisando sobre partos. Ela sorriu e me garantiu que não vai ter uma criança nem tão cedo, o medo dela era de modo geral. Nos perguntamos se tinha um nome para esse medo, e Rihanna pesquisou pra gente no iphone dela.

Rihanna: Fobia de vaginas grandes … ‘profundas’… Isso é terrível! Não acredito que estou digitando isso.

Entrevistadora: Espera.Profundo não é um problema. É amplo.

Rihanna: Profundo é um problema sim, oi?!

Entrevistadora: Huh. Porque eu sinto que… sempre tenho uma vagina pequena. Rihanna riu.

Rihanna: Confie em mim, se eles não conseguirem sentir até o final, é tipo Cannonball!

Entrevistadora: Cannonball no sentido de navegar pelo espaço, em algo que nunca acaba, como o cosmos. Homens gostam de saber que há um fim na mulher que eles estão, que ela é finita. É uma linha impossível de andar. Você quer ser global, mas ter os pés no chão. No momento, mas também um passo à frente dele.

Entrevistadora: Eu perguntei a ela quando ela aprendeu sobre sexo.

Rihanna: Bem, há sempre esse instinto humano sobre isso, mesmo numa idade muito, muito jovem. Mas com tipo, 11 anos, garotas estavam falando sobre o que elas já tinham e não tinham feito. Eu nem tinha beijado um garoto ainda, então aquilo sempre me fez me sentir insegura. Tipo, como se eu nunca fosse me sentir bem ou preparada pra saber o que fazer, eu nem tinha peitos.

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Entrevistadora: Apenas 5 anos depois, depois de criar peitos, Rihanna deixou barbados para ir a Nova York gravar uma demo. Ela se mexeu na cadeira um pouco quando falei desse assunto.

Rihanna: Isso é algo que acho que eu nunca faria. Deixar minha única menina ir para um pais estranho para viver com pessoas que ela acabou de conhecer. Tinha que ser Deus que paralisou as emoções de Monica Fenty, assim ela pôde dizer “Sim, vá”. Até hoje eu não sei como isso aconteceu, mas graças a Deus, aconteceu.

Entrevistadora: O que impressiona sua mãe?

Rihanna: Ela está sempre impressionada como ela me vê sendo um pouco levadinha, ou inteligente, quando ela vê eu me defendendo. Faz ela se sentir segura, ela não precisa se preocupar comigo.

Entrevistadora: Eu queria perguntar sobre ser uma mulher jovem e negra com poder na América, mas parecia errado de alguma forma falar sobre isso; Então eu direcionei minha perguntara para uma Rihanna mais jovem, e perguntei se ela de repente se sentiu consciente sobre a raça de uma maneira diferente quando mudou para Nova York. Ela hesitou. E eu nervosamente comecei a me desculpar, e ela interrompeu.

Rihanna: Sabe, quando eu comecei a experienciar a diferença, ou mesmo em ter minha raça em destaque, geralmente era quando eu fazia reunião de negócios.

Entrevistadora: Negócios. Significa que todo mundo é legal com uma garota negra jovem cantando, dançando, festejando e sendo gostosa. Mas quando se trata da hora de negociar, e fechar um negócio, de repente ela é lembrada de sua negritude.

Rihanna: E você sabe, isso nunca acaba, de qualquer forma. Ainda existe, e é isso que faz você querer mostrar para as pessoas que elas estão erradas. Isso quase me excite. Eu sei o que as pessoas estão esperando e eu mal consigo me conter para mostrar a eles que estou aqui para exceder as expectativas.

Entrevistadora: Ela soou como uma jovem profissional negra tentando entrar no mundo corporativo.

Rihanna: Mas eu tenho que ter em mente que essas pessoas estão julgando você porque você está definido de uma certa forma. Eles já estão programados para pensar que um cara negro vestindo um casaco significa segurar a bolsa um pouco mais forte (Para não ser roubada).

Entrevistadora: A noite caiu enquanto digiramos por Los Angeles. Demorou horas para conseguir falar com a Rihanna, mas eu já estava em casa metade daquele tempo, cedo demais. Antes de entrar em casa, eu levantei minha blusa, o perfume dela ainda estava lá. O problema desses tipos de romance é que tudo se desmorona na releitura. Meu marido e meu filho de 3 anos tentaram mas não conseguiram entender o quão esmagador e profundo foi minha ligação com Rihanna. E eu admito que enquanto o tempo passa, eu vou começando a duvidar se o nosso tempo juntas significou tanto pra ela quanto significou pra mim. Não importa. Meu coração ainda pula toda vez que eu a vejo.

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