“O Mundo é da Rihanna” – Entrevista para a Vogue US sobre o ANTI, moda e até sobre rivalidade com Beyonce

É domingo de Super Bowl, eu estou numa mansão em Beverly Hills, local onde será feito o ensaio de Rihanna para a Vogue.
A cantora aparece na porta, recém chegada de Toronto, onde na noite anterior ela e Drake terminaram de gravar o vídeo para o single “Work”

10 dias antes, Rihanna lançou o ANTI, seu primeiro álbum desde 2012. Por 7 anos, ela lançou uma coleção pop todos os anos, como uma máquina. E de repente, nada. Não foi apenas uma questão de tempo. ANTI anunciou-se imediatamente como algo diferente. Uma desafiante mistura idiossincrática de dance hall, doo-wop e soul. Não era sua habitual e instantânea formula pop.

Enquanto isso, Rihanna está reclinada sobre uma espreguiçadeira chaise na varanda sob o sol. Fumando um cigarro, soltando fumaça para o céu sem nuvens da Califórnia. Ela está ouvindo a um remix de “Chandelier”, música da Sia, ocasionalmente cantando a letra com um sotaque bajan inimitável: “I’m gonna live like tomorrow doesn’t exist! Like it doesn’t exist!”

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Estamos vivendo em uma era de ouro das divas pop. Beyonce, Taylor Swift, Adele: Raramente tivemos o topo das paradas tão lideradas por mulheres. Nos sentimos vulneráveis com Adele, poderosas com Taylor. Queremos assistir a Beyonce dançar, assistir ela arrasar. E nessa arena gloriosamente lotada, Rihanna transmite algo único. Ela não tem medo de mostrar suas imperfeições. Rihanna nos inspira e como sua amiga Cara Delevigne diz que ela “Vai com seu instinto e coragem, e se as pessoas não gostarem de você, foda-se eles”.

Esse “pegar-ou-largar” tão real é o que atrai as mulheres jovens para a o grupo de fãs tão leais de Rihanna. Conhecidos como NAVY, depois da canção “G4L”. E em 2016, a Navy vai ter muito de Rihanna.

Nas próximas semanas, o plano é voar para Nova York e estrear sua nova coleção com a Puma na semana de Moda de Nova York. Depois ela retorna para L.A para o Grammy, e segue para Londres para performar no Brit Awards. Dois dias depois, ela volta para a california para começar sua turnê mundial. Os figurinos da turnê são “inspirados por tons de terra neutros e evolui de um extremo ao outro de acordo com o andar do show”, ela diz. Se juntando a ela teremos Big Sean e The Weeknd na Europa e Travis Scott nos EUA. “Gosto de trazer pessoas que fazem a plateia ficar animada” Rihanna diz.

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Depois da sua última turnê em 2013 para o Unapologetic, Rihanna prometeu dar uma pausa nas gravações. “Eu queria ter um ano apenas para fazer o que eu quisesse artisticamente, de forma criativa.” Ela diz. “Não durou uma semana.” Um paparazzi conseguiu uma foto dela saindo de um estúdio, “E meus fãs ficaram tipo:” UHUL! Teremos um single!” a partir desse momento, ela diz, “A Navy esperava por um álbum” mas só aconteceu 2 anos depois.

Leva tempo para reinventar seu som, como Cara Delevingne diz “ANTI tem seu próprio gênero. E esse gênero é ela (Rihanna)”

Rihanna ficou entediada com a formula pop? “Muito.” A cantora diz. “Eu foquei em torno das canções que sinceramente estão e são o que eu sou no momento.” Em “Consideration”, uma trip-hop colaboração com SZA, a mensagem é clara: “Eu tenho que fazer as coisas do meu jeito, querido.” Ela reconhece os riscos. “Talvez não sejam gravações que automaticamente vão chegar ao top 40 mas eu senti que ganhei o direito de fazer isso agora.”

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Evitando os clichês e refrões fáceis dos hits anteriores, outra música, “Higher” revela uma mulher que foi destruída pelo amor. Rihanna compara a uma “ligação para o ex quando se está bêbada” ela explica: “Você sabe que ele está errado, mas aí você fica bêbada e pensa tipo: “Eu poderia perdoa-lo; Poderia ligar para ele, poderia fazer as pazes com ele”. Apenas num desespero.” A sinceridade da canção é agravada por uma voz rouca e potente. “Nós apenas dissemos, ‘Quer saber? Vamos beber um pouco de uísque e gravar essa canção’.

Depois temos “Work”, no qual o título se repete inúmeras vezes e a crítica chama de uma “pós linguagem”. A canção é realmente uma homenagem à sua cultura de Barbados. Embora Rihanna agora divida seu tempo entre Los Angeles e Nova York, seus laços com a ilha permanecem fortes. Ela é muito próxima da mãe, Monica Braithwaite, que é dona de uma loja de roupas em Barbados, e também do seu avô materno, que sempre aparece em suas postagens no Instagram. “Você entende o que estou falando, mas não é precisamente perfeito. Porque é assim que nós falamos na cultura caribenha.” Rihanna diz. No vídeo, que ela fez com o Drake“Tudo que ele faz é tão incrível” –. Rihanna rebola e dança agarradinho com ele num vestido Tommy Hilfige que mostra bem o tipo de festa dance-hall “Nós iriamos para o Caribe só para dançar, beber, fumar e paquerar” com suas amigas verdadeiras Melissa Forde e Jennifer Rosales.

Houveram outros singles ao longo do caminho, incluindo “FourFiveSeconds”, uma colaboração acústica com Paul McCartney e Kanye West. “É quase como se ninguém tivesse dito a ele sobre seu sucesso” Rihanna fala sobre Paul McCartney, que ela disse ser muito humilde. Na última primavera tivemos “Bitch Better Have My Money,” uma canção acima dos limites da fantasia de vingança cujo vídeo ficou na linha entre empoderamento e misoginia. “É apenas uma maneira de descrever uma situação. É uma forma de estar no controle, de mostrar as pessoas que elas estão sim no controle.” Rihanna diz.

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Nos últimos anos, Rihanna tem definitivamente tomado conta do seu negócio. Depois de cumprir seu contrato com a gravadora Def Jam, ela criou seu próprio selo, a WestBudy Road Entertainment, com a gravadora Roc Nation. Num movimento ousado, ela conseguiu um patrocínio de R$ 25 milhões de dólares com a Samsung. Robyn Rihanna Fenty, a menina da ilha arrancada do anonimado aos 16 anos por um grupo de magnatas da música, está se tornando ela mesma, uma magnata. Ela é tão sintonizada com as mudanças sísmicas da indústria que ela também comprou parte do Tidal. “Stream conta agora” ela diz. Como qualquer mulher de negócios mais experiente, Rihanna sabe que é importante diversificar. No outono passado, ela anunciou um novo empreendimento, a Fr8me, uma agência que representa e está por trás de estilistas e artistas de cabelo e maquiagem. Ela tem interesse e é apaixonada por beleza e eventualmente mostra seu talento no instagram.

No meio de tudo isso, ela de alguma forma arrumou tempo para um papel no filme “Valérian and the City of a Thousand Planets” filme baseado numa série de quadrinhos francês. Dirigido por Luc Besson, com co estrelas como Dane Dehaan e Cara Delevingne, será lançado em 2017. Pelo telefone, Besson está relutante para falar sobre o personagem de Rihanna no filme, disse apenas que a personalidade dela muda “a cada 15 segundos”, disse. “Como você pode imaginar, ela é número um em seus negócios, ela tem uma proteção, como um crocodilo. Mas ela realmente se entregou. Eu fiquei tocado com ela.” Disse Luc Besson

Numa noite gelada de fevereiro em Nova York, Rihanna lançava sua coleção em parceria com a Puma em Nova York. Muitos famosos prestigiaram o evento como Naomi Campbell, Chris Rock, e o rapper Wale. Rihanna não é a primeira celebridade a tentar colocar suas mãos no ramo de design de moda. Mas como era Rihanna envolvida no processo? “Muito dedicada. Ela escolheu cada tecido.”” disse o presidente da Puma, Björn Gulden. “Não há uma peça da coleção que ela não aprova”

É um movimento natural: Rihanna ama a moda e os estilistas a amam. Tom Ford descreve o estilo dela como “Ousada, sem medo e em constante evolução.” Olivier Rousteing da Balmain a compara com Michael Jackson , David Bowie e Prince:
“Seja uma peça masculina ou feminina, ela faz com que fique sexy. Ela tem essa força e modernidade”.
Ela parece bem confortável nesse papel. Basta considerar o vestido que ela usou para aceitar o prêmio de Icone Fashion em 2014

Mais cedo na mansão, dois homens vestidos de terno vindos em nome da Recording Industry Association of America (RIAA), chegaram com duas placas: Uma que certificava a platina do recente álbum de Rihanna, ANTI e outra em comemoração a marca de 100 milhões de downloads online, que foi conquistada em Julho. (Em outro sinal do estado turbulento da indústria da música, críticos irão questionar sobre a platina do ANTI, salientando que a RIAA levou em conta um milhão de downloads gratuitos que eram parte do acordo com a Samsung.) Rihanna parece genuinamente surpresa com os elogios. “Se eu soubesse que eles estavam vindo, eu teria, pelo menos, colocado em uma coisa (roupa) mais bonitinha.”

Com a liberação repentina de Formation, durante a semana de ascendência do ANTI nos charts, não há duvidas de que a internet está jogando Rihanna e Beyonce uma contra a outra. Mas não é assim que Rihanna pensa. “Esse é o negócio, eles ficam animados em investir em algo que é negativo. Algo que é competitivo. Algo que, você sabe, uma rivalidade. E não é pra isso que eu acordo todos os dias. Porque só eu posso fazer o que eu quero e ninguém mais vai ser capaz de fazer isso.”

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